segunda-feira, 10 de abril de 2017

Tendências para a educação brasileira em 2017


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Na reforma do ensino médio, há previsão de turbulências. O início foi desajeitado; o desenho, pouco participativo; há resistências, poucos recursos e, ainda por cima, o Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou parecer ao STF, às vésperas do recesso do Senado, declarando a medida inconstitucional. Tudo indica que este será um ingrediente a mais num momento que já é de bastante controvérsia entre os três poderes.

Os pontos mais promissores da reforma estão na flexibilidade (os estudantes escolhem certas áreas na formação) e na integração com o ensino técnico. Mas a implementação não será fácil: envolve mudar o currículo, ampliar a jornada escolar e capacitar os professores.

A Base Nacional Comum Curricular, até agora, não recebeu a devida importância, com a atenção da sociedade desviada pelo caos político do país. É urgente retomar o foco sobre a versão mais atual do documento - que vem sendo debatida desde maio em seminários por estado, e recebendo deles novas contribuições. Não deveríamos terminar 2017 sem uma definição com a qual a maioria dos envolvidos se sinta confortável e que resolva as principais inconsistências do ensino, hoje sobrecarregado de conteúdos e distante da vida concreta.

Por fim, o ensino superior enfrenta um cenário de incerteza, devido à redução das políticas de financiamento, os cortes no orçamento e a queda no número absoluto de matrículas, motivada também pelas deficiências de aprendizagem dos estudantes.

O mercado de trabalho, cada vez mais exigente, está sofrendo as consequências de terem se aberto as portas das faculdades, sem a devida estrutura e sem que os alunos tivessem as competências mínimas. As instituições precisam rever seus processos de ensino e avaliação – sob pena de formar um sem número de pseudoprofissionais, munidos de diplomas de areia.

Enquanto isso, pelo mundo, nas nações de alto desempenho educacional, outras discussões estão em marcha. Sala de aula invertida, metodologias ativas e novos papeis do professor, com apoio de tecnologias, são realidades que chegaram mais rápido do que aqui. O desempenho dos estudantes brasileiros, na lanterna dos exames internacionais, mostra que ficamos para trás. Colocar a educação como alta prioridade é uma decisão que não deveria mais ser adiada.

(Foto: Reprodução/TV TEM)


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Por que Filosofia e Sociologia nas escolas?


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Houve um tempo em que brincávamos com grilos, grama, enxurradas, louva-deuses, joaninhas, nuvens, chuva, chão, árvores, noites, e diretamente na lama pra fazer tijolinhos sob um sol matutino. Criar imaginariamente qualquer possibilidade de viver a beleza da interação com a natureza. Aprender o valor de nós mesmos através do encantamento e da harmonia com a valorização do tempo absorvido em sua totalidade com razão ou não, mas tudo de coração, pois o que importa é o importar com a natureza de todas as coisas que nos despertam à nós mesmos. O excesso de racionalidade nos priva do encanto, do espanto, das paixões e pulsões que nos permite nos ver no espelho da natureza que nos mostra a nós mesmos. Possibilidades humanas estão nas equações, nas químicas, na ética, na geografia, nas histórias, no barro ou no alcance maior de qualquer avanço tecnológico. É tempo de cura dessa loucura que está adoecendo nossos adolescentes cujas lentes naturais estão sendo embaçadas por uma doutrina carregada de ideia fixa sobre futuro onde o presente é o adestramento racional frio e sem encanto. A ausência do eu é o medo das paixões, da imaginação e da mínima poesia com a vida, onde o excesso de razão desequilibra a humanidade seja lá qual for a idade. O futuro é um sujeito covarde que se recua enquanto avançamos. O presente, esse sim é legal, real… Um presente! A engenharia a arquitetura a matemática pura é de extrema necessidade, mas nos precisamos ser precisos com aqueles que necessitam do exemplo racional e prático para a formação engenhosa e arquitetônica do caráter e personalidade pelo coração, pelo encanto, pela poesia de existir. Como fazer isso sem a noção existencial do eu e também esse eu encantado e cheio de possibilidades sem a noção do nós… Filosofia e Sociologia são exatas ciências de mãos dadas com as mentes humanas que calculam, fazem pensar e tem o poder de produzirem cidadãos cultos, críticos.

Texto adaptado por Marcio Filósofo
Francisco Fernando Lopes

Sabedoria de vida é usufruir o presente


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Não permitir a manifestação de grande júbilo ou grande lamento em relação a qualquer acontecimento, uma vez que a mutabilidade de todas as coisas pode transformá-lo completamente de um instante para o outro; em vez disso, usufruir sempre o presente da maneira mais serena possível: isso é sabedoria de vida. Em geral, porém, fazemos o contrário: planos e preocupações com o futuro ou também a saudade do passado ocupam-nos de modo tão contínuo e duradouro, que o presente quase sempre perde a sua importância e é negligenciado; no entanto, somente o presente é seguro, enquanto o futuro e mesmo o passado quase sempre são diferentes daquilo que pensamos. Sendo assim, iludimo-nos uma vida inteira. 
Ora, para o eudemonismo, tudo isso é bastante positivo, mas uma filosofia mais séria faz com que justamente a busca do passado seja sempre inútil, e a preocupação com o futuro o seja com frequência, de modo que somente o presente constitui o cenário da nossa felicidade, mesmo se a qualquer momento se vier a transformar-se em passado e, então, tornar-se tão indiferente como se nunca tivesse existido. Onde fica, portanto, o espaço para a nossa felicidade? 

Arthur Schopenhauer, in "A Arte de Ser Feliz"

terça-feira, 24 de maio de 2016

A revolução da bondade



Acho que a grande revolução, e o livro «Ensaio sobre a Cegueira» fala disso, seria a revolução da bondade. Se nós, de um dia para o outro, nos descobríssemos bons, os problemas do mundo estariam resolvidos. Claro que isso nem é uma utopia, é um disparate. Mas a consciência de que isso não acontecerá, não nos deve impedir, cada um consigo mesmo, de fazer tudo o que pode para reger-se por princípios éticos. Pelo menos a sua passagem pelo este mundo não terá sido inútil e, mesmo que não seja extremamente útil, não terá sido perniciosa. Quando nós olhamos para o estado em que o mundo se encontra, damo-nos conta de que há milhares e milhares de seres humanos que fizeram da sua vida uma sistemática ação perniciosa contra o resto da humanidade. Nem é preciso dar-lhes nomes. 

José Saramago, in " Folha de S. Paulo, Outubro 1995" 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Política: arte sagrada de construir jardins.

Política é a arte sagrada de construir jardins, existem políticos por vocação e por profissão.
Quando a Política é exercida por Profissão, pelo ganho que dela provém , surgem os Gigolôs, que são verdadeiros parasitas que se instalam no poder ( neste caso vamos ter os leões de chácara, que defendem seu dono, sua dona, visando o lucro que dali poderão obter ).
Assim a comunidade, a sociedade, o País, O Mundo perde a poesia, e surgem todo tipo de gigolôs, cada qual tendo o seu preço.



No contraponto podemos encontrar os Políticos Jardineiros, que cuidam do bem público em beneficio de todos, neste caso são aqueles que amam o que fazem.
A merendeira que capricha no tempero , o médico que atende o paciente como gente, o professor que transforma suas aulas em obras de arte dignas de filmes ganhadores de Oscar, policiais que protegem todos sem diferenciar a classe social, o vereador que luta por conquistas sociais …
Já os gigolôs querem ganhar, não importa como, a merendeira que odeia comida, o médico que odeia pacientes pobres, o professor que detesta crianças e adolescentes, o policial que desrespeita os mais elementares direitos humanos, o vereador que está mais preocupado em colocar nomes de ruas, e empregar familiares ou obter mais um cargo. 



E o Povo ????



Neste caso vale citar Rubem Alves:

” Mas uma das características do povo
é a facilidade com que ele é enganado.
O povo é movido pelo poder das imagens
e não pelo poder da razão.


Quem decide as eleições e a democracia são os produtores de imagens.
Os votos, nas eleições, dizem quem é o artista
que produz as imagens mais sedutoras.
O povo não pensa.
Somente os indivíduos pensam.
Mas o povo detesta os indivíduos que se recusam
a ser assimilados à coletividade.
Uma coisa é a massa de manobra sobre a qual os espertos trabalham.

Nem Freud, nem Nietzsche confiavam no povo.

Durante a revolução cultural, na China de Mao-Tse-Tung,
o povo queimava violinos em nome da verdade proletária.
Não sei que outras coisas o povo é capaz de queimar.”

Texto adaptado: Por Marcio Filósofo

segunda-feira, 21 de março de 2016

O homem invejoso



Certa vez um homem invejoso veio a encontrar o homem de quem mais sentiu inveja, então começou a insultá-lo. O bom homem apenas ouviu calado. Então, já casando o invejoso se retirou e foi embora.
- Senhor, porque não revidastes as agressões verbais que aquele homem te fez?
- Cada um só pode dar ao outro o que possui no coração. Eu não posso pagar com uma coisa que não possuo dentro de mim. Mas ao ficar calado eu não aceitei o seu presente, então ele o levou consigo.
Reconhece-se a árvore pelos frutos; O homem bom ou mau, só consegue dar verdadeiramente aquilo de  que seu coração está abastecido. 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Karl Marx, o filósofo da revolução

Karl Marx. Foto: Hulton Archive/Getty Images
Karl Marx
O pensador alemão, um dos mais influentes de todos os tempos, investigou a mecânica do capitalismo e previu que o sistema seria superado pela emancipação dos trabalhadores.
Numa de suas frases mais famosas, escrita em 1845, o pensador alemão Karl Marx (1818-1883) dizia que, até então, os filósofos haviam interpretado o mundo de várias maneiras. "Cabe agora transformá-lo", concluía. Coerentemente com essa ideia, durante sua vida combinou o estudo das ciências humanas com a militância revolucionária, criando um dos sistemas de idéias mais influentes da história. Direta ou indiretamente, a obra do filósofo alemão originou várias vertentes pedagógicas comprometidas com a mudança da sociedade (leia quadro na página 54). "A educação, para Marx, participa do processo de transformação das condições sociais, mas, ao mesmo tempo, é condicionada pelo processo", diz Leandro Konder, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. 
 


No século 20, o pensamento de Marx foi submetido a numerosas interpretações, agrupadas sob a classificação de "marxismo". Algumas sustentaram regimes políticos duradouros, como o comunismo soviético (1917-1991) e o chinês (em vigor desde 1949). Muitos governos comunistas entraram em colapso, por oposição popular, nas décadas de 1980 e 1990. Em recente pesquisa da rádio BBC, que mobilizou grande parte da imprensa inglesa, Marx foi eleito o filósofo mais importante de todos os tempos.

Márcio Ferrari (novaescola@fvc.org.br)